Tem horas que eu não quero nem a minha própria opinião, por que eu iria querer a sua?
Olha, se eu estava esperando pelo dia perfeito pra me jogar num rio gelado e morrer hipotérmico e afogado, é hoje. No duro, eu só não caminho cinco quarteirões e me atiro no guaíba porque detesto sentir frio e a água é podre. Fora isso, não tenho a mínima ideia de por que insisto em continuar vivendo. Eu faço tudo errado.
Sou o que deixaram. Sou àquela abelha que não provou da flor, mas extraiu o mel com seu cheiro. Sou quem esquece de você o dia todo, mas, à noite sente sua falta e enfraquece de novo. Sou eu quem quis que você ficasse, mas sou a mesma que te deixa ir. Sou eu quem idealiza as perguntas mais idiotas para fazer; “sou quem você vai tentar várias vezes até dar certo?”. Fui eu quem quis gritar aos quatro ventos, quem sagrou na parede e deixou escrito toda aquela babaquice que te agradava. Sou eu quem aprovou o seu sorriso. Fui eu quem nunca fez promessas vazias, se quer fiz promessas. Fui eu quem olhou para o mesmo horizonte, enquanto você mirava direções contrárias. Sou eu a fragilidade em pessoa e feito criança, se escondeu no escuro só pra ninguém ver o que o seu efeito fez sobre mim. Sou eu quem te deu asas, ensinou a voar e o resultado de ser livre foi tão bom que você não soube voltar. E por isso, só por isso, sou eu quem muda a roda, e muda os planos, e se muda da sua vida. Mereço uma trégua. E se, nessa altura do campeonato vier alguém, que ela saiba voar também.
Algumas saudades a gente finge que não sente. Que não dói, que não incomoda mais. A gente deixa para trás, mas ela estar sempre à frente.
É claro que as coisas não duram para sempre, às pessoas já vêm com essa desculpa para irem embora.